Político experiente, com vários mandatos em sua trajetória e prestes a completar 78 anos, o deputado federal Júlio César (PSD) é um dos protagonistas da concorrida e badalada disputa pelas duas vagas de senador no Piauí nas eleições deste ano. Ele mede forças com os senadores Marcelo Castro (MDB) e Ciro Nogueira (PP), ambos montados na confortável estrutura do mandato na Casa Alta da República.
A disputa não é fácil para nenhum dos três, por mais que apaixonados de cada lado batam nos peitos em defesa do nome – ou dos nomes – de sua predileção. Júlio César, impulsionado principalmente pela sagacidade política do filho, o deputado estadual Georgiano Neto (PSD), se mostra relevante e muito competitivo na disputa. A aliança política governista da qual faz parte também o torna forte.
Sobre Júlio César, há de se destacar dois tipos de resistência: uma física e outra política.
No começo do ano, houve quem duvidasse da capacidade do parlamentar de enfrentar uma campanha já se aproximando dos 80 anos. Embora a campanha – do ponto de vista oficial – ainda não tenha começado, ele vem mostrando que andar pelo Piauí e estar em todas as agendas do seu grupo político não é problema. Júlio está em todas. Nunca falta.
Contudo, para além da resistência física, o pré-candidato a senador tem se saído ainda melhor em outro tipo de fronte: o político. Mesmo enfrentando boicotes em setores da própria base do governo, além das ofensivas naturais do campo adversário, Júlio consegue colocar em campo uma candidatura competitiva e viável. Seu núcleo político enfrentou e enfrenta barreiras de vários lados, mas mostra força.
No lugar de Júlio, outro nome novato ou de envergadura política menor, sem o entorno político que ele possui, já teria sido considerado carta fora do baralho à essa altura do campeonato. Faltando pouco mais de dois meses para a eleição, a corrida pelas vagas de senador no Piauí está em aberto. À luz da razão e da cautela, nenhum nome pode arvorar-se como eleito.
Na disputa com Ciro Nogueira e Marcelo, Júlio César está mais vivo – e perigoso – do que nunca.





