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Gustavo Almeida

ANÁLISE | Na briga pelo Senado, Júlio César mostra mais que resistência física

Mesmo enfrentando boicotes em setores do próprio governo, além das ofensivas do campo adversário, ele consegue colocar na arena eleitoral uma candidatura forte.

Júlio César (Foto: Laura Cardoso/DitoIsto)

Político experiente, com vários mandatos em sua trajetória e prestes a completar 78 anos, o deputado federal Júlio César (PSD) é um dos protagonistas da concorrida e badalada disputa pelas duas vagas de senador no Piauí nas eleições deste ano. Ele mede forças com os senadores Marcelo Castro (MDB) e Ciro Nogueira (PP), ambos montados na confortável estrutura do mandato na Casa Alta da República.

A disputa não é fácil para nenhum dos três, por mais que apaixonados de cada lado batam nos peitos em defesa do nome – ou dos nomes – de sua predileção. Júlio César, impulsionado principalmente pela sagacidade política do filho, o deputado estadual Georgiano Neto (PSD), se mostra relevante e muito competitivo na disputa. A aliança política governista da qual faz parte também o torna forte.

Sobre Júlio César, há de se destacar dois tipos de resistência: uma física e outra política.

No começo do ano, houve quem duvidasse da capacidade do parlamentar de enfrentar uma campanha já se aproximando dos 80 anos. Embora a campanha – do ponto de vista oficial – ainda não tenha começado, ele vem mostrando que andar pelo Piauí e estar em todas as agendas do seu grupo político não é problema. Júlio está em todas. Nunca falta.

Contudo, para além da resistência física, o pré-candidato a senador tem se saído ainda melhor em outro tipo de fronte: o político. Mesmo enfrentando boicotes em setores da própria base do governo, além das ofensivas naturais do campo adversário, Júlio consegue colocar em campo uma candidatura competitiva e viável. Seu núcleo político enfrentou e enfrenta barreiras de vários lados, mas mostra força.

No lugar de Júlio, outro nome novato ou de envergadura política menor, sem o entorno político que ele possui, já teria sido considerado carta fora do baralho à essa altura do campeonato. Faltando pouco mais de dois meses para a eleição, a corrida pelas vagas de senador no Piauí está em aberto. À luz da razão e da cautela, nenhum nome pode arvorar-se como eleito.

Na disputa com Ciro Nogueira e Marcelo, Júlio César está mais vivo – e perigoso – do que nunca.

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